segunda-feira, 2 de junho de 2025

2º Trimestre - A GEOGRAFIA NO EF - INTRODUÇÃO

Fonte Revista Nova Escola

Texto adaptado


 A Geografia é incorporada desde os anos iniciais do Ensino Fundamental. A ênfase de trabalho com o componente curricular Geografia, recai sobre o pensamento espacial e o raciocínio geográfico

Para se aproximar dos objetivos de aprendizagem, o professor também precisa se apropriar de conteúdos procedimentais. 

“A Base reforça a ideia da Geografia como um componente importante para entender o mundo, a vida e o cotidiano. Desenvolver nos estudantes o raciocínio geográfico, articulando alguns princípios , significa dotá-los de mais uma forma de perceber e analisar criticamente a realidade”, afirma a professora Sônia Castellar, da Universidade de São Paulo (USP).

A BNCC traz novas dimensões para a realização dessa leitura de mundo. “Antes, o estudo do componente estava mais pautado na leitura, na interpretação da paisagem e em um aluno mapeador consciente. Agora, volta-se mais para estimular um pensamento espacial, atrelado ao raciocínio geográfico”, explica a professora Thiara Vichiato Breda, doutora em Ciências pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Pensamento espacial e raciocínio geográfico: o que são?

Os dois conceitos citados pela professora, pensamento espacial e raciocínio geográfico, perpassam as cinco unidades temáticas que estruturam o componente. 

Essas cinco unidades também são subdivididas em objetos de conhecimento e habilidades (objetivos de aprendizagem). Elas permeiam toda a Base e são organizadas em uma construção progressiva dos conhecimentos geográficos, trabalhando os objetivos e conteúdos a partir de diferentes linguagens.

As cinco unidades temáticas são: 
1. O sujeito e seu lugar no mundo
2. Conexões e escalas
3. Mundo do trabalho
4. Formas de representação e pensamento espacial
5. Natureza, ambientes e qualidade de vida

Ao observar fenômenos planetários, de base natural, como abalos sísmicos ou mudanças climáticas, e até mesmo de base social, como um desmoronamento ocasionado pelo desmatamento das encostas, o estudante deve ter a curiosidade de entender por que aquilo acontece. É preciso estimular as crianças e jovens a pensarem de que forma o acontecimento presente está relacionado com outros ao longo do tempo: como a questão de causalidade, e com a localização, como as condições geográficas.

“É articulando esses princípios citados na BNCC que os estudantes vão emprestar sentido e lógica aos conteúdos com os quais já estavam habituados a relacionar-se”, explica o professor Laércio Furquim, consultor no Time de Autores de NOVA ESCOLA. Nessa nova perspectiva, os conteúdos não devem ser aprendidos de forma descontextualizada, mas entendidos como parte de um processo.

O especialista ressalta que a aplicação dos princípios desse raciocínio, em sala de aula, também vão preparar o estudante para perceber e questionar tudo o que se materializa no espaço. Se perguntarmos porque algo está exatamente ali, naquelas coordenadas, será necessário pesquisar processos e identificar para que e para quem servem esses objetos construídos. O mesmo vale para locais onde não há construção. Por que não se construiu ali? Quem se beneficia desse “vazio”?

A ideia que está por trás da Base é a de que os estudantes se desenvolvem aprendendo a olhar o espaço por onde passam e vivem, captando informações diversas por meio das paisagens e dos lugares em que transitam. “Os estudos de solo, de relevo, de vegetação e de clima são importantes para entender o espaço geográfico e as formas de organização da vida. Mas é fundamental que o estudante compreenda que o espaço geográfico é constituído e configurado pelas relações entre a humanidade e a natureza, algo que a aplicação dos princípios geográficos vai facilitar”, afirma o assessor educacional.

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